Mediante análise de risco, as pessoas saudáveis com história familiar de cancro podem ser referenciadas para a realização de testes genéticos.2
Os genes são segmentos do código de ADN que herdamos dos nossos progenitores. Cada um de nós possui duas cópias de cada gene – uma cópia é herdada da nossa mãe e outra do nosso pai. No total, temos aproximadamente 20.000 genes, cada um com uma função específica, que fazem com que o nosso organismo se desenvolva e funcione normalmente.1
Existem alguns genes que têm como função proteger-nos do desenvolvimento de cancro, corrigindo os danos que podem ocorrer no nosso ADN, durante a divisão celular. Os genes BRCA1 e BRCA2 são dois exemplos desses genes supressores de tumor.1
Ou seja, não são as mutações genéticas nos genes BRCA1/2 que provocam o cancro, mas sim a acumulação de danos no ADN não reparados nas células, fazendo com que uma célula normal se transforme numa célula tumoral.1
Apenas uma pequena percentagem de pessoas (aproximadamente 1 em 400, ou 0,25% da população) apresentam mutação nos genes BRCA1 ou BRCA2.2
Uma grande percentagem dos cancros da mama e do ovário é de ocorrência esporádica, resultantes de mutações somáticas e não hereditárias (ocorrem no nosso ADN, apenas no tecido onde se origina o cancro).3
Cada um de nós possui duas cópias de cada gene – uma cópia é herdada da nossa mãe e outra do nosso pai.1 Quando se herda uma cópia alterada do gene BRCA de um dos nossos progenitores, a mutação está presente em todas as células, o que nos torna mais suscetível (probabilidade superior à esperada na população em geral) de desenvolver cancro numa idade mais precoce, e a ter mais do que um cancro (ex. cancro da mama bilateral).3
Esta transmissão ocorre de geração em geração na linha germinativa, de forma autossómica dominante ou seja, com uma probabilidade de 50% de transmitir a mutação familiar à descendência.3
Mediante análise de risco, as pessoas saudáveis com história familiar de cancro podem ser referenciadas para a realização de testes genéticos.2
Uma grande percentagem dos cancros da mama e do ovário é de ocorrência esporádica, resultantes de mutações somáticas e não hereditárias (ocorrem no nosso ADN, apenas no tecido onde se origina o cancro).3
Em mulheres saudáveis portadoras de mutações nos genes BRCA as medidas de vigilância são diferentes e iniciam-se em idade mais precoce do que na população em geral. Existem várias opções de vigilância/redução de risco disponíveis, que devem ser equacionadas individualmente e após esclarecimento adequado sobre as suas vantagens, limitações e riscos. Estas opções incluem: vigilância clínica e imagiológica com mamografia e RM mamária, cirurgias de redução de risco (mastectomia bilateral, ooforossalpingectomia bilateral profiláticas).1
No caso do cancro do ovário a vigilância clínica e imagiológica não é eficaz na identificação precoce, pelo que a cirurgia de redução de risco é a única medida eficaz recomendada, existindo recomendações sobre a idade a partir da qual deve ser ponderada, que deverão ser discutidas individualmente.1
Para os homens com mutação genética BRCA, a vigilância é a melhor forma de redução do risco. No caso do cancro da próstata, isso inclui a realização de exame regular à próstata, assim como a medição dos níveis séricos do antigénio específico da próstata (PSA), uma vez por ano a partir dos 40 anos.4
Para o cancro do pâncreas, a redução do risco passa pela redução de fatores de risco. Nesse sentido, é importante manter uma alimentação equilibrada e atividade física regular, evitando o consumo de alimentos processados, carnes vermelhas e, ainda, o consumo de tabaco e bebidas alcoólicas.4,5
A realização deste estudo em indivíduos saudáveis encontra-se regulamentada pela Lei n.º 12/2005, de 26 de Janeiro, e Decreto-Lei n.º 131/2014, de 29 de agosto, no que se refere à proteção e confidencialidade da informação genética, às condições de oferta e realização de testes genéticos e aos termos em que é assegurada a consulta de genética médica.1
Fale com o seu médico para saber mais informações. A Associação EVITA dedica-se a este tema. Saiba mais aqui.
Sabe-se que as mutações BRCA1 e BRCA2 aumentam o risco de desenvolver alguns tipos de tumores, como o cancro da mama na mulher e homem, ovário, próstata ou pâncreas. A tabela ao lado mostra o risco estimado de cancro aos 70 anos na população geral e nos portadores de mutações nos genes BRCA.1
No entanto, convém salientar que o desenvolvimento da doença é fruto de uma complexa interação entre fatores genéticos, ambientais e do próprio indivíduo e, por isso, muitos portadores de mutações patogénicas germinativas nunca terão cancro ao longo da sua vida.2
Consulte os fatores de risco para estas patologias: cancro da mama, cancro do ovário, cancro da próstata e cancro do pâncreas.
Adaptado de 1
*Origem europeia
Adaptado de Georgios Lypas, BRCA1/2 associated cancer susceptibility: a clinical overview. Forum of clinical oncology, 2015.
Apesar de não existir evidência científica clara de que as mudanças no estilo de vida ajudam a reduzir o risco de cancro entre os portadores da mutação BRCA, vários estudos realizados na população em geral já confirmaram a importância de manter um estilo de vida ativo, colocando em prática comportamentos saudáveis (não fumar e evitar bebidas alcoólicas, praticar exercício físico, manter uma dieta equilibrada, etc.), contribuindo assim para uma maior percepção de redução de risco e, por isso, de controlo sobre a doença.1
No entanto, existem medidas adicionais que podem ser tomadas. Consulte ao lado, para cada tipo de cancro:
A transmissão da mutação nos genes BRCA1/BRCA2 é autossómica dominante, o que significa que basta herdar uma cópia do gene alterado para ter risco acrescido de desenvolver cancro.1
É recomendado que informe os seus familiares para que eles, caso sejam portadores da mutação, possam ter acesso também a um programa de vigilância precoce de cancro. No entanto a decisão final é sua e o resultado do teste genético é sempre confidencial.1
Geralmente faz parte da equipa de profissionais dedicados a estas questões um psicólogo ou psiquiatra que em situações mais difíceis podem ajudar ou fornecer as ferramentas adequadas a facilitar o diálogo com a família.1
O mais importante é partilhar as suas dificuldades, angústias ou medos com os profissionais que a acompanham! Veja em baixo “Como devo conversar com os meus familiares”.1
De notar que não são realizados testes genéticos em crianças, porque o risco de cancro não está aumentado na infância. O teste genético apenas deve ser realizado na idade adulta, após os 18 anos e após aconselhamento genético adequado.1
Há possibilidade de evitar a transmissão da mutação à descendência?
Quando há o plano de constituir família, e se o casal assim o desejar, pode recorrer a uma consulta de aconselhamento genético e abordar as várias possibilidades, nomeadamente o diagnóstico genético pré-implantação e o teste pré-natal.1
Pode ser difícil para muitos portadores de mutação genética abordar esta questão, seja com os familiares mais próximos ou com a família mais alargada.1
Saiba que pode fazê-lo com a ajuda da equipa de aconselhamento genético, que irá ajudar os seus familiares a perceber os riscos envolvidos e referenciá-los para realização de teste genético.1
É recomendado que informe os seus familiares para que eles, caso sejam portadores da mutação, possam ter acesso também a um programa de vigilância precoce de cancro. No entanto, a decisão final é sua e o resultado do teste genético é sempre confidencial.1
A informação genética hereditária difere da maioria das informações médicas porque não diz apenas respeito a uma pessoa, mas aos seus familiares, podendo ajudar a esclarecer a razão da existência de determinados problemas de saúde, ao mesmo tempo que pode permitir calcular o risco futuro e agir consoante esse risco.2
Na presença de dados que confirmam um risco aumentado de cancro, as pessoas vão poder estar mais vigilantes, fazer alterações nos seus estilos de vida ou até tomar decisões ao nível do planeamento familiar. Podem agir para reduzir esse risco ou ajudar a garantir que o cancro é detectado numa fase inicial, o que permitirá um tratamento mais eficaz.2
A identificação de indivíduos/famílias com suspeita de cancro mama/ovário hereditário e sua referenciação adequada a Consulta de Risco Familiar de Cancro/Oncogenética para estratificação de risco, aconselhamento e orientação adequada é essencial, uma vez que o reconhecimento de formas hereditárias e de famílias com risco elevado de cancro da mama e ovário é determinante no prognóstico, na terapêutica e no acesso a medidas de prevenção primária e secundária para o doente e para os seus familiares em risco.1
Em mulheres saudáveis portadoras de mutações nos BRCAs as medidas de vigilância são diferentes e iniciam-se em idade mais precoce do que na população em geral. Existem várias opções de vigilância/redução de risco disponíveis, que devem ser equacionadas individualmente e após esclarecimento adequado sobre as suas vantagens, limitações e riscos.1
Estas opções incluem: vigilância clínica e imagiológica com mamografia e RM mamária, cirurgias de redução de risco (mastectomia bilateral, ooforossalpingectomia bilateral profiláticas).1
No caso do cancro do ovário a vigilância clínica e imagiológica não é eficaz na identificação precoce, pelo que a cirurgia de redução de risco é a única medida eficaz recomendada, existindo recomendações sobre a idade a partir da qual deve ser ponderada, que deverão ser discutidas individualmente. Em portadores com doença oncológica, a existência de predisposição hereditária subjacente, pode condicionar decisões cirúrgicas e/ou farmacológicas diferentes das equacionadas no cancro esporádico. Adicionalmente, os portadores em idade fértil poderão beneficiar de aconselhamento específico sobre opções reprodutivas.1
Veeva ID: PT-23900 aprovado a 06/2026