Para além destes dois tipos principais, existem outros tipos de cancro do pulmão menos frequentes, que representam os restantes casos.2
Os pulmões são parte do nosso sistema respiratório. O ar entra pela boca ou pelo nariz, atravessa a faringe e a laringe e entra na traqueia. A traqueia divide-se em dois tubos chamados brônquios, que entram nos dois pulmões, dividindo-se em tubos cada vez mais finos, os bronquíolos, para terminar em sacos microscópicos chamados alvéolos. É nos alvéolos que o oxigénio (O2) presente no ar, e indispensável para a vida de todas as células do nosso organismo, passa para o sangue para ser transportado para todo o corpo. É também nos alvéolos que se faz a passagem do dióxido de carbono (CO2), gás tóxico produzido pelo nosso organismo, do sangue para o exterior.1
O pulmão direito é constituído por três lóbulos, enquanto que o pulmão esquerdo é constituído apenas por dois lóbulos.2
Como todos os órgãos do nosso corpo, os pulmões são compostos por vários tipos de células e quando algumas destas crescem descontroladamente, podem dar origem a cancro do pulmão.3,4
Qualquer cancro resulta de um crescimento descontrolado de células que sofreram alterações e, por isso, não realizam a sua função, impedindo o desempenho adequado de determinado órgão.1,5
No caso do cancro do pulmão, estas células que têm origem no pulmão podem invadir outras zonas da cavidade torácica, circular no sistema sanguíneo e linfático e atingir outros órgãos, nomeadamente o fígado, os ossos e o cérebro formando metástases.1
O contrário também pode acontecer: células cancerígenas que tiveram origem noutros órgãos migram para o pulmão, formando uma metástase no pulmão. Neste caso, o tumor primário está noutro órgão. (Exemplo: um cancro da mama com metástase no pulmão continua a ser um cancro da mama)1,5
Há vários tipos de cancro do pulmão, dividindo-se em dois grupos principais2:
Para além destes dois tipos principais, existem outros tipos de cancro do pulmão menos frequentes, que representam os restantes casos.2
Subtipos de CPCNP:
Adenocarcinoma2,6,26
Quando um doente é diagnosticado com CPCNP os médicos tentam perceber se o cancro se disseminou para outros locais ou não e, quão avançado está. Para isso, são realizados uma variedade de testes, num processo a que é chamado de estadiamento. Os estádios de CPCNP são classificados por algarismos romanos (I-IV). A escala inicia-se no estádio 0 (cancro em estádio inicial) até ao estádio IV (cancro em estádio avançado ou metastático). Os estádios são determinados pelo tamanho do tumor, localização e se existe metastização (propagação) para os gânglios linfáticos e/ou outras partes do corpo.5,7
A classificação TNM é um sistema internacional de classificação tumoral, caracterizada como standard para o estadiamento do tumor. Esta classificação permite aos profissionais de saúde a uniformização do registo e facilita a comunicação e partilha de informação. As suas siglas representam o que é avaliado: (T) refere-se ao tamanho do tumor; (N) refere-se à sua disseminação para gânglios linfáticos próximos do local originário do tumor; (M) refere-se à existência ou ausência de metástases, ou seja, a extensão do tumor para localizações distantes do local de origem. Alguns desses estádios são divididos em subestádios.5,7
Como regra geral, quanto menor o número/letra do estádio e ou do subestádio, mais localizado está o tumor. Um número mais alto, como o estádio IV, significa que o tumor se disseminou. Dentro de cada estádio, uma letra (ou número) anterior significa um estádio inferior.5,7
Quando o cancro do pulmão se espalha a partir do tumor primário é chamado de cancro do pulmão metastático. São exemplos:1
Saber se o cancro do pulmão é o cancro primário, e a sua respetiva caracterização, é fundamental para o médico determinar o tratamento adequado.3
O prognóstico do doente com CPCNP depende do tipo e estádio do cancro, e do estado geral de saúde do doente.
Embora os doentes com CPCNP possam ser tratados em todos os estádios, apenas em alguns estádios é possível o acesso a tratamentos com intenção curativa.8
Doença extensa: considerado um estádio avançado, com pior prognóstico do que a doença limitada. É caracterizado pela disseminação da doença pelos pulmões, gânglios linfáticos, outros tecidos da zona torácica e/ou órgãos mais distantes.
Cerca de 2 em cada 3 doentes com CPPC têm doença extensa quando diagnosticados.9
Globalmente, o cancro do pulmão é o tipo de tumor mais frequente e mais mortal.10
Adaptado de 10
O CPCNP é o tipo mais comum de cancro de pulmão, representando 80-85% de todos os cancros do pulmão2
Taxa padronizada por idade (mundo) por 1000 000, Incidência, Ambos os sexos em 2024.
Traqueia, brônquios e pulmão.
Adaptado de 12
Taxa padronizada por idade (mundo) por 100 000, Mortalidade, Ambos os sexos em 2024.
Traqueia, brônquios e pulmão
Adaptado de 13
Adaptado de 14
Embora, como referido anteriormente, sejam muitas vezes inespecíficos, o cancro do pulmão tem alguns sinais e sintomas associados, dos quais os mais comuns são:6
Um fator de risco é qualquer situação que aumenta ou potencia a ocorrência ou agravamento de uma doença/problema de saúde.16 O tabagismo é o maior fator de risco para desenvolver cancro do pulmão. O risco de cancro nos fumadores é cerca de 20 vezes superior ao dos não fumadores.17
No entanto, existem outros fatores de risco que podem aumentar a probabilidade de desenvolver cancro do pulmão. É importante lembrar que ter um fator de risco aumenta a probabilidade de desenvolver cancro, mas não significa que irá ter cancro. Da mesma forma, o facto de não ter um fator de risco não significa que nunca sofrerá de cancro.6
Apesar do cancro do pulmão ser o tipo de cancro mais frequentemente diagnosticado a nível global10, o seu diagnóstico é muitas vezes realizado numa fase avançada da doença já que os sintomas são, geralmente, inespecíficos e manifestam-se sobretudo numa fase tardia.18
Atualmente, em Portugal, não existe ainda um programa de rastreio de cancro do pulmão implementado pelo Serviço Nacional de Saúde19, pelo que é fundamental que não descure qualquer sintoma ou preocupação e que procure discuti-lo com o seu médico.18
Caso o resultado destas avaliações levante a suspeita de cancro do pulmão, o seu médico irá solicitar exames adicionais como exames de imagiologia e histopatologia ao pulmão.18,20 O objetivo destes exames é determinar se a suspeita de cancro do pulmão se confirma, identificar o seu tipo, avaliar a dimensão e verificar a extensão da sua disseminação (se está localizado ou, pelo contrário, se já disseminou para outras regiões do corpo).18
Poderá ter mais do que um médico ou profissional de saúde envolvido no seu processo de diagnóstico. A equipa trabalhará em conjunto para selecionar os exames mais adequados ao seu caso.18
Estas amostras serão depois estudadas pelos anatomo-patologistas em contexto laboratorial que irão determinar/avaliar se a amostra é representativa de um tecido tumoral21,22 e, em caso afirmativo, retirar várias informações importantes para definir qual a melhor opção terapêutica.18,22
Existem diferentes procedimentos que podem ser realizados para obter células ou fluido para análise.21 A escolha do procedimento a realizar dependerá do tamanho e localização do tumor.21
Consiste em obter uma pequena quantidade de tecido da lesão para que esta seja avaliada pelo médico anatomo-patologista.23 Pode ser realizada uma biópsia aspirativa por agulha fina (PAAF), em que o médico utiliza uma seringa com agulha fina para aspirar células diretamente da lesão suspeita, ou uma biópsia por agulha grossa (core-biopsy), em que a agulha tem um diâmetro maior, permitindo aspirar uma maior quantidade de células.20 Existe ainda a hipótese de biópsia cirúrgica, que consiste na obtenção de uma amostra de tecido pulmonar através de uma incisão.24
A biópsia pode ser realizada através da utilização de diferentes métodos complementares de diagnóstico:
O broncoscópio é um tubo flexível que possui uma câmara. Este tubo é introduzido pelo nariz ou boca, passando pela traqueia até aos pulmões, permitindo a visualização das vias aéreas18,21-23. Quando atinge a zona com a lesão suspeita, este aparelho permite ao médico fazer a biópsia.18,23
Este exame é realizado durante a broncoscopia, quando acoplada uma sonda de ecografia à câmara de vídeo já existente no broncoscópio.18 O EBUS permite obter uma visualização mais detalhada de zonas mais profundas18, além de possibilitar a observação e a realização de biópsias dos linfonodos e de outras estruturas localizadas entre os pulmões.20,21,23
A aspiração transbronquial por agulha (TBNA) é frequentemente realizada em conjunto com a EBUS. Este procedimento utiliza uma agulha fina, introduzida através do broncoscópio, para recolher amostras de tecido de áreas do pulmão próximas das vias aéreas principais.18,21
Este exame é bastante semelhante ao EBUS, mas neste caso o endoscópio passa pelo esófago, recolhendo imagens e biópsias dos linfonodos adjacentes que também podem estar metastizados.20,21
Quando é necessário observar e recolher amostras de estruturas do mediastino (região anatómica entre os pulmões)20,21 que não puderam ser acedidas através da broncoscopia22, pode ser realizada a mediastinoscopia/mediastinotomia. A mediastinoscopia utiliza um tubo que é inserido atrás do esterno (osso do peito) e à frente da traqueia para observar e recolher amostras de tecido dos gânglios linfáticos ao longo da traqueia e das principais áreas dos brônquios.20 Se alguns gânglios linfáticos não puderem ser alcançados pela mediastinoscopia, pode ser necessário recorrer a um mediastinotomia. Neste procedimento, é necessária uma incisão ligeiramente maior entre a segunda e a terceira costelas esquerdas, próximo ao esterno.20
Através de um pequeno corte no tórax, o cirurgião introduz um pequeno tubo acoplado a uma câmara de vídeo, podendo assim observar e realizar a biópsia do espaço entre o pulmão e a parede torácica, detetando tumores nas regiões da pleura (membrana que envolve os pulmões) ou na parede torácica.21,23 A Videotoracoscopia/Cirurgia Torácica Videoassistida (VATS) pode ser, também, um método de tratamento em alguns tumores no estádio inicial, considerando que através desta técnica cirúrgica minimamente invasiva é possível, não só visualizar, como remover o tumor.20,21,23
Técnica cirúrgica minimamente invasiva, em que o médico cirurgião é auxiliado por um robot. São feitas várias pequenas incisões na parede torácica – numa das incisões é colocada uma câmera que permite visualizar o tórax; através das restantes incisões, são colocados os diferentes instrumentos robóticos. O robot cirúrgico é totalmente controlado pelo médico, permitindo uma maior precisão e controlo de movimentos na remoção de tecido pulmonar, bem como gânglios linfáticos envolventes quando necessário.25
Procedimento cirúrgico, realizado sob anestesia geral, em que através de uma incisão no tórax, é possível observar e recolher biópsias de pulmão para posterior análise. Este procedimento é raramente utilizado para diagnóstico de cancro de pulmão, mas pode ser necessário para a remoção completa de um tumor no pulmão.23
Uma amostra de muco (expectoração) é analisada ao microscópio para procurar a presença, ou não, de células cancerígenas.21
Este tipo de exame é realizado após o diagnóstico de cancro do pulmão com o intuito de perceber o quão afetada está a capacidade dos seus pulmões. Isto é particularmente importante nos casos em que a cirurgia pode ser uma opção no tratamento da doença. A cirurgia para remoção do tumor pode implicar remover uma grande parte do pulmão e nem sempre a função pulmonar é suficiente para suportar a remoção de parte do órgão.20
A partilha e discussão de experiências com outras pessoas que vivem o diagnóstico na primeira pessoa pode ser uma ajuda fundamental.
Apesar de ser um diagnóstico duro e desafiante, os avanços significativos que estão a acontecer na área do cancro do pulmão permitem a mais doentes a hipótese de cura. Vale a pena ter Esperança!
Veeva ID: PT-24511 Aprovado a 07/2026
Abreviaturas:
CPCNP: Cancro Pulmão de Células Não-Pequenas; CPPC: Cancro do Pulmão de Pequenas Células; EBUS: Ultrassonografia Endobrônquica; EUS: Ecoendoscopia; FDG: fluorodeoxiglicose; PAAF: Punção Aspirativa por Agulha Fina; PET: Tomografia por Emissão de Positrões; RATS: Cirurgia Torácica Robótica; RM: Ressonância Magnética; RX: Raio-X; TAC: Tomografia Axial Computorizada; TBNA: Aspiração Transbronquial por agulha; TNM: Tumor, Node, Metastasis; VATS: Cirurgia Torácica Videoassistida.
Referências: