Doença Asma

Tudo o que precisa de saber sobre a Asma

O que é a Asma?

Asma é uma doença heterogénea normalmente caracterizada pela inflamação crónica das vias aéreas. É definida pela história de sintomas respiratórios, tais como: pieira, falta de ar, aperto torácico e tosse, que variam no tempo e em intensidade, junto com uma limitação variável do fluxo de ar expiratório.1

 

Numa pessoa com Asma, a exposição a determinados fatores, como por exemplo gases tóxicos, desencadeia a inflamação e contração dos brônquios, sendo a contração/espasmo brônquico uma reação do próprio organismo para se proteger.1 Assim, perante múltiplos estímulos há uma resposta brônquica exagerada, também designada de hiperreactividade brônquica.2


Os fatores desencadeantes mais comuns são os alergénios, o exercício físico, a exposição a substâncias irritantes; variações meteorológicas e infeções respiratórias virais.1,2


Em termos de gravidade, a Asma pode variar de doença ligeira, com períodos em que os sintomas são poucos ou inexistentes, a níveis de gravidade onde os sintomas aparecem com mais frequência e com maior severidade.1

O que acontece às nossas vias respiratórias quando temos Asma?

Chart1 Chart1

Adaptado de 5

Quais os sintomas da Asma?

Os sintomas de Asma e a limitação do fluxo aéreo podem ser resolvidos espontaneamente ou com a medicação, e às vezes podem estar ausentes por semanas ou meses. Por outro lado, os doentes Asmáticos podem ter episódios de agudizações, também chamados de ataques de Asma, que podem ser fatais e que representam um custo significativo para os doentes e para a sociedade.1 As queixas podem também variar ao longo do ano, sendo mais comuns com as mudanças de estação.1

Dispneia

(sensação de falta de ar)

Tosse

Sibilos

(som característico, semelhante a um assobio, produzido pela passagem do ar pelas vias aéreas obstruídas)

Opressão torácica

(sensação de aperto no peito)

Cansaço

Tosse durante a noite

Adaptado de 1

A Asma é uma doença comum?

A Asma é um problema de saúde pública, com elevada prevalência, que afeta pessoas de todas as idades, em todo o mundo. Quando não é controlada, esta doença pode ser incapacitante ou mesmo fatal. Globalmente, estima-se que mais de 339 milhões de pessoas sofram de Asma1. Em Portugal, de acordo com o Estudo Epi-Asthma, que teve início em 2021, esta doença crónica afeta mais de 570 000 pessoas, sendo que cerca de 68% não têm a sua Asma controlada.3


A Asma geralmente surge na infância, sendo a doença crónica mais frequente em idade pediátrica.2

Estima-se que 262 milhões de pessoas
em todo o mundo sofrem de Asma

(Organização Mundial da Saúde)4

A Asma afeta cerca de
570 000 pessoas em Portugal3

Apenas 32% dos Asmáticos têm a sua
doença controlada 

(EPI-ASTHMA study)3

A Asma é a doença crónica mais
frequente em crianças

(Fundação Portuguesa do Pulmão)2

Adaptado de 1-4

Como se diagnostica a Asma?

O diagnóstico de Asma baseia-se na identificação de um padrão característico de sintomas respiratórios, como pieira, falta de ar, aperto torácico, bem como limitação variável do fluxo expiratório. O padrão dos sintomas é importante, já que os sintomas respiratórios podem ser causados por condições agudas ou crónicas que não sejam Asma.


Por isso, na consulta, o médico pode fazer perguntas sobre episódios recorrentes falta de ar e pieira, tosse persistente, (principalmente à noite ou ao início da manhã) sintomas após exposição a fatores desencadeantes (bolor, pó, pelo de animais), assim como a existência de algum familiar com Asma, alergias ou outros problemas respiratórios.1


Para o diagnóstico de Asma podem ainda ser necessários realizar alguns exames complementares, como a espirometria e a prova de broncoconstrição ou broncodilatação. A espirometria permite confirmar se existe ou não obstrução da passagem do ar nas vias aéreas e, se esta obstrução é reversível. Já a prova de broncoconstrição realiza-se com a substância metacolina, que numa pessoa saudável não produz qualquer efeito, mas numa pessoa com Asma atua como estímulo que dá origem à obstrução dos brônquios.1

O que provoca a Asma?

Há vários fatores que podem desencadear ataques de Asma, nomeadamente, a exposição a alergénios (substâncias capazes de provocar alergia), a prática de exercício físico, emoções fortes, mudanças bruscas de temperatura, certos alimentos e/ou aditivos, determinados medicamentos, entre outros.1

Fatores desencadeadores de ataques de Asma

Chart2 Chart2

Adaptado de 1,2

Há vários tipos de Asma?

A Asma pode ser classificada em diversos fenótipos, conforme a sua gravidade. A maior parte das pessoas com Asma apresenta doença ligeira a moderada, podendo controlar facilmente a patologia, com terapêutica adequada e vigilância médica.1


Independentemente do nível de gravidade da Asma, é muito importante que o doente seja acompanhado e vigiado por um médico, para prevenir a ocorrência de ataques de Asma.

Tipos de Asma, conforme a sua gravidade

  • Asma ligeira
    Os sintomas surgem apenas uma ou duas vezes por mês.
     
  • Asma moderada
    Os sintomas surgem mais que 2 vezes por mês, mas não diariamente.
     
  • Asma grave
    Despertares noturnos devido à Asma uma vez por semana ou mais. Os sintomas aparecem todos os dias.
     
  • Asma muito grave
    Os sintomas aparecem todos os dias. Despertares noturnos devido à Asma uma vez por semana ou mais. Diminuição da função pulmonar.

Como se trata a Asma?

Os objetivos a longo prazo da gestão da Asma são:

  • minimizar o risco da mortalidade relacionada com a Asma, as agudizações, a limitação persistente do fluxo aéreo, os efeitos secundários do tratamento;
  • assegurar o controlo dos sintomas e manter as atividades normais do dia a dia.


Assim, o tratamento da Asma baseia-se nos seguintes pilares:

Chart3 Chart3

Adaptado de 1

Os riscos do uso excessivo de SABAs

Os broncodilatadores de curta duração (SABAs) são medicamentos exclusivamente utilizados para o alívio rápido dos sintomas de asma e não para o seu tratamento, sendo que o seu uso frequente pode indicar um controlo inadequado da doença.6
Quando um doente necessita de utilizar o seu inalador de alívio mais de 3 vezes por semana, este padrão revela que a asma não está devidamente controlada e representa um sinal de alarme importante.7 Os dados mostram que cerca de 40% dos doentes com asma utilizam SABAs mais de 3-4 vezes por semana, colocando-se numa situação de risco acrescido para complicações graves.6
A evidência científica demonstra uma relação direta entre o uso excessivo de SABAs e o aumento do risco de agudizações e mortalidade.6 Doentes que utilizam 3 ou mais inaladores por ano têm o dobro da probabilidade de hospitalização, enquanto aqueles que consomem 11 ou mais inaladores anuais enfrentam um aumento substancial do risco de morte.7 Estes dados sublinham a importância de uma abordagem terapêutica centrada no controlo preventivo da asma, em vez de depender apenas do alívio sintomático.6

A Asma tem cura?

A Asma é uma doença inflamatória crónica, pelo que é importante ensinar aos doentes as boas práticas para gerir eficazmente esta doença. Assim, uma comunicação eficaz e personalizada com o profissional de saúde vai permitir estabelecer um equilíbrio na forma como lidar com a doença.1
Os pontos essenciais para uma boa gestão da Asma são:1

  • Treino na utilização dos dispositivos de inalação e correta técnica inalatória;
  • Encorajar a adesão à terapêutica prescrita;
  • Marcação de consultas de seguimento, dentro de um plano estratégico de abordagem da doença;
  • Estar informado relativamente à Asma;
  • Um plano de tratamento da Asma definido de forma a reconhecer e responder a possíveis agravamentos da doença;
  • Treino para uma gestão autossuficiente da doença, incluíndo a automonitorização dos sintomas.


Todos estes pontos irão contribuir para o doente ter uma boa qualidade de vida.1

As pessoas que têm Asma podem praticar atividade física?

As pessoas com Asma podem e devem praticar atividade física. No entanto, o exercício físico pode ser um fator desencadeante dos sintomas de Asma. Para uma prática segura de atividade física, um doente asmático deve ter os seguintes cuidados:2


Cuidados a ter:

Se for particularmente sensível ao pólen ou à poluição atmosférica, deve praticar desporto em recintos fechados.

Faça exercícios de aquecimento e pequenas pausas durante e depois dos treinos.

Se for muito sensível aos ácaros, deve praticar desporto em espaços abertos.

Se sentir que se aproxima uma crise, pare imediatamente.

Adaptado de 2

Que cuidados devo ter em casa para evitar a exposição a alergénios?

As pessoas que sofrem de Asma devem ter alguns cuidados redobrados para reduzir a exposição a alergénios em ambientes interiores, nomeadamente em casa, e assim prevenir o surgimento de sintomas de Asma.1


Cuide do ambiente da sua casa

Mantenha a casa bem arejada e ventilada

Aspire a casa regularmente

(incluindo cortinas e colchões), idealmente com um aspirador com filtro de alta eficiência (HEPA)

Mude os lençóis e as fronhas todas as semanas

Use coberturas anti-ácaros para colchões e almofadas

Prefira lençóis de algodão, almofadas e edredões sintéticos

Sacuda, aspire ou lave os cobertores uma vez por mês

Evite alcatifas e tapetes

Remova do quarto os peluches ou outros objetos que acumulem pó

Controle a humidade relativa, para um valor inferior a 50%, com recurso a um desumidificador

Adaptado de 1,2

No que toca aos efeitos do pólen da primavera, a pessoa com Asma deve também adotar uma atitude preventiva, para evitar agudizações da doença.

Durma com as janelas fechadas

Se possível, evite áreas de elevada polinização

Minimize a atividade no exterior, sobretudo durante a manhã

Use óculos escuros fora de casa

Adaptado de 2

Veeva ID: PT-21315 Aprovado a 09/2025

 

Referências:

 

  1. GINA Guidelines – Global Initiative for asthma (2020). Global strategy for asthma management and prevention. Consultado em agosto de 2025 em: http://www.ginasthma.org;
  2. Fundação Portuguesa do Pulmão. Asma (Por Mário Morais de Almeida). Consultado em: https://www.fundacaoportuguesadopulmao.org/apoio-ao-doente/asma#130. Consultado em agosto de 2025;
  3. Jácome C, Fonseca JA, Correia-de-Sousa J, et al. EPI-ASTHMA study protocol: a population-based multicentre stepwise study on the prevalence and characterisation of patients with asthma according to disease severity in Portugal. BMJ Open. 2022 Sep 1. Consultado em agosto de 2025.
  4. Organização Mundial da Saúde. (2024, 6 de maio). Asthma. Consultado em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/asthma Consultado em agosto de 2025;
  5. Asthma and Allergy Foundation of America. (n.d.). What are asthma symptoms? Consultado em https://aafa.org/asthma/asthma-symptoms/ Consultado em agosto de 2025;
  6. Quint JK, et al. J Allergy Clin Immunol Pract. 2022;10(9):2297-2309.e10. Consultado em agosto de 2025;
  7. Nwaru BI, et al. Eur Respir J. 2020;55:1901872. Consultado em agosto de 2025.