O cancro do pâncreas é a 4.ª principal causa de morte por cancro nos países ocidentais e a 6.ª a nível global, devido em grande parte à complexidade da sua biologia e tratamento.1,2 Apresenta uma das piores taxas de sobrevivência entre os cancros 'comuns', com apenas 9% dos doentes a sobreviver mais de cinco anos após o diagnóstico.3,4 O adenocarcinoma ductal pancreático (PDAC) é a forma mais frequente (85% dos casos),4 enquanto os tumores neuroendócrinos pancreáticos (TNEPs) são menos frequentes (1-2% dos casos).5
O PDAC é um dos cancros mais agressivos.6 Devido à diversidade de mutações genéticas e ao tecido conjuntivo denso do pâncreas, é também um dos tipos de cancro mais resistentes à quimio e radioterapia.2,7,8 O prognóstico é extremamente desfavorável, com apenas ~20% dos doentes a sobreviver um ano em qualquer estádio da doença.9 As causas permanecem pouco compreendidas, embora se conheçam fatores de risco como tabagismo, diabetes, obesidade e pancreatite crónica.4
Devido à investigação científica dedicada, houve avanços positivos na gestão desta doença de alta morbidade.10 Para compreender os desafios complexos que este cancro apresenta, importa primeiro entender o papel crucial do pâncreas na regulação das funções corporais.