Terapêutica oral em oncologia

Atualmente, cada vez mais pessoas fazem tratamento para o cancro com medicamentos administrados por via oral, como comprimidos ou cápsulas. Estes tratamentos são tão eficazes como os administrados no hospital por via intravenosa e são desenvolvidos, estudados e aprovados com o mesmo rigor científico.1 



 

Tomar a medicação em casa não significa que o tratamento seja, menos eficaz ou menos importante. Significa apenas que passa a fazer parte do seu dia a dia e que o seu papel no cumprimento do tratamento se torna ainda mais importante.1,2


 

Fazer o tratamento em casa pode trazer várias vantagens. Pode ser mais cómodo, evitar deslocações frequentes ao hospital e permitir uma maior flexibilidade na rotina diária. Ao mesmo tempo, exige atenção e compromisso: tomar a medicação na dose certa, à hora certa e de acordo com as orientações da sua equipa de saúde.1,2

 

Como há menos contacto presencial com os profissionais de saúde, é natural que surjam dúvidas ao longo do processo. Por isso, saber como gerir o tratamento no dia a dia é fundamental.

 

O Projeto ADERE foi criado para o/a apoiar na gestão da sua terapêutica oral e ajudá-lo/a a manter uma boa adesão ao tratamento.

Em breve, estará disponível para download gratuito o manual de apoio à jornada do doente oncológico, desenvolvido no âmbito deste projeto

Porque é tão importante cumprir o tratamento?

Cumprir a terapêutica significa seguir o plano de tratamento tal como foi recomendado pelos profissionais de saúde. Na prática, isso inclui tomar os medicamentos corretamente, nos horários indicados e durante o período de tempo previsto.2

Seguir o tratamento de forma consistente é muito importante para que este possa funcionar da melhor forma possível. Quando a medicação não é tomada como indicado, o tratamento pode perder eficácia e os resultados podem não ser os esperados.1-3


Nem sempre é fácil manter esta rotina. Esquecimentos, dúvidas, efeitos indesejáveis, mudanças no dia a dia ou dificuldades em obter a medicação podem interferir com o tratamento. Isso pode acontecer a qualquer pessoa.

 

O mais importante é reconhecer essas dificuldades e falar sobre elas com a equipa de saúde.

O que pode fazer para cumprir melhor a terapêutica?

Cumprir o tratamento nem sempre é simples, mas pequenas estratégias podem fazer a diferença no dia a dia.

 

Pode ajudar:2 


  • Pedir à equipa de profissionais de saúde que lhe explique o tratamento de forma clara e, se possível, por escrito; 

  • Confirmar a dose, os horários, a duração do tratamento e se deve tomar o medicamento com ou sem alimentos; 

  • Informar sobre todos os medicamentos, vitaminas, produtos naturais ou suplementos que esteja a tomar; 

  • Avisar se tiver dificuldade em encontrar ou levantar a medicação na farmácia; 

  • Usar uma caixa organizadora de comprimidos, se isso facilitar; 

  • Definir alarmes no telemóvel ou outros lembretes;

  • Associar a toma da medicação a uma rotina diária, como o pequeno-almoço ou o lavar dos dentes; 

  • Ter um esquema simples com os nomes dos medicamentos e os horários; 
  • Guardar a medicação num local seguro e sempre no mesmo sítio; 

  • Pedir ajuda a um familiar ou cuidador, se sentir que isso pode ser útil.

Quando é que a terapêutica pode não estar a ser cumprida?

Pode haver falhas na adesão ao tratamento quando, por exemplo:2

  • Se esquece de tomar o medicamento;
  • Toma a medicação fora do horário indicado;

  • Altera a dose por iniciativa própria;
  • Interrompe o tratamento porque se sente melhor ou por causa de efeitos indesejados;
  • Não segue as indicações sobre a toma, por exemplo, se deve ser feita com ou sem alimentos;

  • Fica com dúvidas sobre como tomar a medicação e não consegue esclarecê-las;

  • Não informa a equipa de saúde sobre sintomas ou efeitos indesejáveis;

  • Falta a consultas, exames ou momentos de acompanhamento importantes.

Estas situações são mais frequentes do que se pensa e nem sempre acontecem por falta de cuidado. Muitas vezes resultam de dificuldades práticas, receios ou dúvidas que surgem em casa. Sempre que tiver ou sentir necessidade, fale com a equipa de profissionais de saúde que a/o acompanha.

O que pode acontecer quando o tratamento não é seguido corretamente?

Quando a terapêutica não é cumprida como indicado, o tratamento pode tornar-se menos eficaz. Em alguns casos, isso pode levar a uma pior resposta à medicação, mais complicações e maior necessidade de consultas, exames ou idas ao hospital.2-4


Além do impacto na saúde, estas dificuldades também podem trazer insegurança, ansiedade e desgaste no dia a dia. Por isso, é importante pedir ajuda sempre que algo estiver a dificultar o cumprimento do tratamento.2-4


A boa notícia é que a adesão pode ser trabalhada e melhorada com apoio, informação clara e estratégias simples.

Se tiver efeitos indesejáveis, o que deve fazer?

Os tratamentos podem causar efeitos indesejáveis1, mas isso não significa que tenha de lidar com eles sozinho/a.

 

Se sentir algum efeito indesejável, entre em contacto com a sua equipa médica ou procure atendimento médico imediato. Não se automedique para quaisquer sintomas antes de falar com o seu médico.

Pode ser útil registar: 


  • Que sintoma sentiu;

  • Quando começou;

  • Quanto tempo durou;

  • Se foi ligeiro, moderado ou intenso;

  • Se aconteceu perto da hora da toma. 



 

Estas informações podem ajudar o médico, enfermeiro ou farmacêutico a perceber melhor o que está a acontecer e a orientá-lo da forma mais adequada.



 

Notifique qualquer efeito indesejável ao Infarmed, I.P. ou AstraZeneca em: https://www.infarmed.pt/web/infarmed/submissaoram

Não tem de gerir tudo sozinho/a

Fazer terapêutica oral em casa dá mais autonomia, mas também pode trazer dúvidas, inseguranças ou dificuldades. Isso é normal.

 

Se houver algo que esteja a dificultar o cumprimento do tratamento — esquecimentos, efeitos indesejados, receio da medicação, dúvidas sobre horários ou dificuldades no acesso — fale com o seu profissional de saúde. Pedir ajuda é uma forma de cuidar de si.

 

O Projeto ADERE existe para incentivar uma gestão da terapêutica mais informada, mais segura e mais acompanhada, através da produção de um guia de apoio à jornada do doente oncológico e do desenvolvimento de iniciativas de geração de evidência e de otimização hospitalar.

Em breve, estará disponível para download gratuito o manual de apoio à jornada do doente oncológico, desenvolvido no âmbito deste projeto

  1. Tadic, D., et al. (2015). Oral administration of antineoplastic agents: The challenges for healthcare professionals. Journal of B.U.ON.: Official Journal of the Balkan Union of Oncology, 20(3), 690–698;

  2. Ordem dos Farmacêuticos. (2025, novembro). Adesão à terapêutica: Um compromisso com a sua saúde. Disponível em: https://www.ordemfarmaceuticos.pt/pt/artigos/adesao‑a‑terapeutica‑ um‑compromisso‑com‑a‑sua‑saude/. Acedido em junho de 2026;

  3. Waseem, H., et al. (2022). Interventions to support adherence to oral anticancer medications: Systematic review and meta‑analysis. Oncology Nursing Forum, 49(1), E4–E16;

  4. Walsh, C. A., et al. (2019). The association between medication non‑adherence and adverse health outcomes in ageing populations: A systematic review and meta‑analysis. British Journal of Clinical Pharmacology, 85(11), 2464–2478.

Veeva ID: PT-24238 aprovado a 06/2026